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Sree Yukteshwar em Shambhavi Mudra





Nestas duas fotos de Sree Yukteshwar pode-se entender melhor a posição dos olhos físicos na prática da técnica de Shambhavi Mudra.


Programa de Kriya Yoga Manaus 2017


MEDITAÇÃO

Programa de Kriya Yoga Manaus 2017

Por Yogacharya Céu



Palestra aberta ao público 
(Entrada – 1kg alimento não perecível)

SAÚDE ATRAVÉS DA PRÁTICA DE MEDITAÇÃO – INTRODUÇÃO À KRIYA YOGA

15/06 – 16h às 18h

Local: Auditório João Bosco – Escola do Legislativo – ALEAM

Av. Mário Ypiranga Monteiro (antiga Recife), 3.950 – Parque 10 de Novembro



Palestra aberta ao público (Entrada – 1kg alimento não perecível)

O QUE É A MEDITAÇÃO KRIYA YOGA

16/06 –19h às 21h

Local: Condomínio Residencial Espanha – Rua Joaquim Uchôa, 15 – Conj. Petro.



INICIAÇÃO EM KRIYA YOGA

17/06 – 9h às 17h e 18/06 – 14h às 17h

É necessária a presença nos dois dias.

Interessados em se iniciar devem participar de pelo menos uma das palestras gratuitas nos dias anteriores.

Donativo financeiro: R$200,00 (mais 5 frutas e 5 flores)

Local: Yoga Ashram Amazônia - Rua Itaúna, 11 – Adrianópolis



SATSANG E PRÁTICA GUIADA

19/06 e 20/06

19h30 às 20h30 – Satsang aberto ao público

20h30 às 21h30 – meditação guiada em Kriya Yoga apenas para iniciados

A Cor Dar, Casa de Brincar – rua Belo Horizonte, 990 - Adrianópolis



Informações e inscrições:

Marcelo – 9814 98777 / mgacalegare@gmail.com

Fernanda – 9910 77074 / naiade89@gmail.com




Yogacharya Céu:
Estuda meditação e técnicas de integração da consciência e do corpo desde a adolescência, entre as quais o Sengei N’garo, a Natação Zen e o Kathakali.
Iniciado em Phowa Tibetano, por Chagdud Tulku Rinpoche (1997), em Meditação em Movimento na linha Theravada do Ceilão, pelo Venerável Puhuwelle Vipassi (1987), e em Kriya Yoga, que pratica desde 2000.
Autorizado em 2011 como Yogacharya (professor) em Kriya Yoga, na linhagem de Sri
Lahiri Mahasayaji e Babaji. Conviveu com Paramahanda Hariharananda (1907-2002), de quem é aluno direto. Hariharananda é Mestre Realizado em Kriya Yoga formado no Karar Ashram de Puri, Índia, discípulo de Yogananda e Sri Yukteshwar.
Atualmente o Yogacharya Céu segue seus estudos com dois antigos alunos de
Hariharananda, o Yogi Sarveshwarananda (Buenos Aires) e o Yogacharya Don Abrams

(New York City).


Apoio:

 






A nossa Linhagem de Gurus

 

Mahavatar Babaji
O ressurgimento contemporâneo da Kriya Yoga começou em 1861 em uma caverna de uma remota montanha do norte da Índia, quando Babaji Maharaj iniciou Lahiri Mahasaya em Kriya Yoga. Desde então, esta ciência espiritual eterna vem sendo transmitida através de uma linhagem de professores realizados.
Este Kalpayogi ("Yogi Supremo") é considerado pela tradição antiga como uma encarnação iluminada e imortal. Viaja no plano astral e projeta uma forma humana para aparecer a alguns discípulos altamente realizados.
Baba Hariharananda passou quase onze anos em silêncio, isolado no ashram de Karar, em Puri, até obter a visão sagrada (darshan) e as bênçãos (ashirbad) de Babaji.
Acredita-se que Babaji guia a humanidade à distância e raramente é visto em forma humana. Ele veio para Lahiri Mahasaya para reintroduzir a antiga ciência yogue perdida, e para este período deu-lhe o nome de "Kriya Yoga".




Sree Shyama Charan Lahiri Mahasaya (1828-1895)
Conhecido como um Yogavatar ("Encarnação do Yoga"), Lahiri Mahasaya era contador, casado e com filhos, trabalhando para o departamento de construção da empresa ferroviária em Varanasi.

Um dia, em 1861, seu escritório o enviou "por engano" (acredita-se que na verdade uma transferência trazida pelo poder místico do próprio Babaji) às montanhas Ranikhet. Ali ele encontrou Babaji, que iniciou-o em Kriya Yoga e lhe deu a missão de transmiti-la pelo mundo.

Ele escolheu Lahiri Mahasaya em parte para mostrar que os humildes chefes de família podem obter o mais alto nível de realização, e não apenas os sannyasins (monges e eremitas).

Assim, alguns anos mais tarde, quando o grande Swami Trailanga, o monge errante nu, viu que Lahiri Mahashaya estava vindo para reverenciá-lo, imediatamente pulou de alegria e abraçou-o. Depois que Lahiri Baba partiu, um dos discípulos de Swami perguntou ao santo por que ele, um sannyasin supremo, mostrou tanto respeito a um simples pai de família. Swami Trailanga respondeu: "- Ele alcançou o estado yóguico enquanto permaneceu como pai família. Eu, por outro lado, tive que abandonar até mesmo à minha tanga!"

Lahiri Baba é conhecido hoje como "o Pai da Kriya Yoga", já que iniciou e guiou milhares de devotos enquanto mantinha sua família e seu trabalho.



Bhupendranath com sua esposa Kalidasi
Shrimat Bhupendranath Sanyal (1877-1962)
Bhupendranath foi um dos mais jovens discípulos de Lahiri, tendo recebido iniciação na idade de quinze anos, e nomeado yogacharya com a idade de dezoito.

Já chefe de família, muito avançado em espiritualidade, fundou um ashram chamado Gurudham, em Puri, Orissa, e outro chamado Mandar, em Bhagalpur, Bihar. Autor de vários livros, seus escritos são pedras preciosas de espiritualidade. Ele é famoso por seu profundo conhecimento do Bhagavad Gita, a respeito do qual escreveu uma interpretação metafórica, à luz da Kriya Yoga, em três volumes.

Paramahamsa Hariharananda recebeu dele, em Puri, as iniciações nos 4º, 5º e 6º (final) graus de kriya.
Entre os muitos discípulos diretos de Bhupendranath Sanyal estão:
 
- Acharya Nikhil Dey 
- Acharya Shailendranath Mukherjee 
- Acharya Jwala Prasad Tiwari 
- Acharya Sunil Kumar Ghosh 
- Paramahamsa Hariharananda



Swami Sree Yukteshwar Giri (1855-1936)
Este grande
Jñanavatar ("Encarnação do Conhecimento"), originalmente era um pai de família chamado Priyanath Karar. Viúvo jovem,  após concluir a criação da única filha, renunciou ao mundo e tornou-se conhecido como Swami Sree Yukteshwar.

Foi um dos discípulos mais avançados de Lahiri Mahasaya e muito versado em astronomia, astrologia e matemática. Alcançou o mais elevado estado de realização, o nirvikalpa samadhi (ausência de respiração e pulso).

Escreveu comentários do Bhagavad Gita e, por ordem de Babaji, um livro que esclarece a semelhança entre a Vedanta e os ensinamentos de Jesus ("Ciência Sagrada"). Fundou um ashram em Serampore, nas favelas de Calcutá. Mais tarde criou o ashram Karar, em Puri, no estado de Orissa, onde iniciou e guiou milhares de discípulos.
Entre os muitos discípulos diretos de Yukteshwar estão:

- Paramahamsa Yogananda
- Swami Satyananda Giri
- Swaminarayan Giri (conhecido como Prabhuji)
- Acharya Motilal Mukherjee
- Bijoy Kumar Acharya Chatterjee
- Paramahamsa Hariharananda



Swami Satyananda Giri (1896-1971)
O jovem Manmohan Mazumdar foi amigo de infância de Paramahamsa Yogananda, sendo mais tarde conhecido como Swami Satyananda. Ele era altamente educado (Bacharel de Ciências em Filosofia) e monge espiritualmente avançado, discípulo de Sree Yukteshwarji.

Foi diretor da escola de Ranchi e, mais tarde, sadhu sabhapati (presidente) do Karar Ashram, fundado por Sree Yukteshwar, onde permaneceu até deixar a sua forma física em 1971. Fundou uma organização chamada Sevayatan (Missão Satsanga), em Jharagram, no distrito Medinipur de Bengala. Cuidou da melhoria social e espiritual das populações locais, especialmente pobres e camponeses.

Ele será sempre lembrado como uma alma simples, nobre, amorosa e dedicada à mais alta realização. Indicou Paramahamsa Hariharananda como presidente do Karar ashram, para depois de sua morte.
Entre os muitos discípulos diretos de Swami Satyananda estão: 
- Swami Dhirananda Giri
- Swami Niranjanananda Giri
- Swami Jagadananda Giri
- Swami Shuddhananda Giri
- Paramahamsa Hariharananda



Paramahamsa Yogananda (1893-1952)
Paramahamsa Yogananda foi o introdutor da Kriya Yoga no Ocidente. Inicialmente conhecido como Mukunda Lal Ghosh, ele foi treinado por Swami Sree Yukteshwar, de 1909 a 1920, até receber o mandato, de Babaji Maharaj, para viajar ao oeste e espalhar a mensagem da Kriya Yoga por todo o mundo.

Estabeleceu o seu centro de estudos na Califórnia, a "Self-Realization Fellowship". Voltou para sua amada Índia só em 1935, para rever seu guru Sree Yukteshwarji, pouco antes da morte deste. Voltou aos EUA em 1936, onde permaneceu até seu mahasamadhi, em 1952.

Compartilhou os ensinamentos do Kriya Yoga com milhões de pessoas em todo o mundo, através de suas palestras, cursos por correspondência, livros e iniciações. Seu livro “Autobiografia de um Iogue” é um dos clássicos espirituais mais reconhecidos do mundo.
Entre os muitos discípulos diretos de Yogananda estão:
- Swami Atmananda Giri
- Swami Vidyananda Giri
- Yogacharya J. Lynn (conocido como Rajarshi Janakananda)
- Hna. Faye Wright (conocida como Daya Mata)
- Yogacharya Roy Eugene Davis
- Yogacharya Donald Walters (conocido como Swami Kriyananda)
- Hna. Gyanamata
- Yogacharya Oliver Black
- Yogacharya Bob Raymer
- Paramahamsa Hariharananda  


Paramahamsa Hariharananda (1907-2002)
É até o momento o último mestre realizado conhecido da linhagem, também chamado de Karunavatar ("Encarnação da Compaixão").

Desde tenra idade ele foi chamado para a vida espiritual, revelando talento intelectual extraordinário. Por exemplo, com a idade de quatro anos e meio, memorizou todos os mantras de puja, depois de ouvi-los de seu pai apenas algumas vezes. Tomou o voto de celibato com a idade de onze anos. Quando tinha vinte anos conheceu Sree Yukteshwar e foi iniciado em Kriya Yoga.

Memorizou e compreendeu todas as grandes escrituras, incluindo os Vedas, os Upanishads, a Bíblia Sagrada, o Corão e a Torá.

Paramahamsa Hariharananda foi um yogi único. Ele obteve o estado yóguico mais elevado, sem pulso e sem respiração, estado também conhecido como nirvikalpa samadhi. Foi observado nesse estado por diversos médicos.

Raghabananda e Hariharananda
Ele era completamente livre de qualquer dogma religioso ou crença sectária. Sua perspectiva refletia em sua abordagem científica para o ensino da Kriya Yoga. Toda a sua vida foi orientada e focada na educação espiritual. Conhecê-lo e receber sua bênção é apreciado e lembrado por aqueles que tiveram esta oportunidade.

Baba, Sarveshwarananda, Gonesh e Don
Entre os muitos discípulos diretos de Paramahamsa Hariharananda estão:
- Rajarshi Raghabananda Nayak
- Swami Brahmananda Giri
- Yogacharya Don Abrams
- Yogi Sarveshwarananda Giri
- Yogacharya Gonesh Baba
- Yogacharya Céu
- Yogacharini Durga Chunduri
- Rajarshi Peter van Breukelen
- Swami Prajñanananda Giri
- Swami Premananda Giri
- Swami Mangalananda Giri
- Swami Shuddhananda Giri
- Brahmachari Swarupananda Giri
- Swami Vidyadhishananda Giri
 



Anandamayi Ma e Yogananda, 1935
Anandamayi Ma (1896-1981)

Nascida em Bengal Leste (hoje Bangladesh), Anandamayi não faz parte da linhagem de transmissão da Kriya Yoga de Hariharananda. Mas por ter sido reverenciada pelos gurus, em especial por Yogananda e Hariharananda, passou a ocupar lugar de destaque entre os praticantes da Kriya Yoga.

De origem simples e trabalhadora dedicada, desde menina entrava em estados de transe estático. Sem ter aprendido com ninguém as práticas de yoga e meditação, assumia posturas e respiração yóguica, contagiando o ambiente e os presentes com intenso sentimento de paz. Tinha grande consciência do que se passava consigo mesma e podia assim guiar outras pessoas na prática da meditação profunda.

É considerada auto-realizada e auto-iniciada. É um exemplo de como a alta consciência da meditação pode surgir espontaneamente, independente de ensinos ou qualquer tipo de característica exterior.





Fontes:

El Arte De La Paz (Yogi Sarveshwarananda)

Kriya Love (Yogacharya Don Abrams)

Retiro em Kriya Yoga: O Amor é o mais importante

Retiro em Kriya Yoga: 27 e 28 de Maio 
Tema: O Amor é o mais importante.

Início 14h30 do dia 27
Término 17h do dia 28 

Baba Hariharananda, ao orientar a prática da meditação, costumeiramente repete que o Amor é o mais importante. Neste retiro de aprofundamento em Kriya Yoga, conduzido pelo Yogacharya Céu, vamos estudar melhor essa orientação. 
Meditações guiadas, satsangs, Vedanta, prática de silêncio e histórias de sabedoria. 

Incluído no retiro: Acomodação em quartos coletivos de quatro pessoas. Refeições e lanches nos intervalos. 
Custo: R$280,00 
Numero de vagas: 12 
Local: São Paulo, SP, no Centro Paulus: http://www.centropaulus.com.br

Inscrições: Escreva para kriya@ailhadoceu.com.br 
Apenas para pessoas já iniciadas na técnica de Kriya Yoga pela linhagem de Paramahansa Hariharananda.

Yogacharya Céu
Céu D’Ellia, 54 anos, é cineasta de animação, premiado internacionalmente.

Estuda meditação e técnicas de integração da consciência e do corpo desde a adolescência, entre as quais o Sengei N’garo, a Natação Zen e o Kathakali.

Iniciado em Phowa Tibetano, por Chagdud Tulku Rinpoche (1997), em Meditação em Movimento na linha Theravada do Ceilão, pelo Venerável Puhuwelle Vipassi,(1988) e em Kriya Yoga, que pratica continuamente desde 1999.

Autorizado em 2011 como Yogacharya (professor) em Kriya Yoga, na linhagem de Sri Lahiri Mahasayaji e Babaji. Conviveu com Paramahanda Hariharananda (1907-2002), de quem é aluno direto. Hariharananda é Mestre Realizado em Kriya Yoga formado no Karar Ashram de Puri, Índia, discípulo de Yogananda e Sri Yukteshwar.

Atualmente o Yogacharya Céu segue seus estudos com dois antigos alunos de Hariharananda, o Yogi Sarveshwarananda (Buenos Aires) e o Yogacharya Don Abrams (New York City).

Maravilhosa Ilusão & um pouco de Hayagriva


Cintia Duarte, que coordena as meditações de nosso grupo em São Paulo, me enviou duas perguntas do grupo.

Achei bom postar aqui, perguntas e respostas, porque podem atender também outros estudantes, em outros lugares.


Primeira pergunta da Cintia:
A proposta é estudarmos o capítulo IV do livro Kriya Yoga do Baba Hariharananda, chamado "A teoria da Kriya Yoga", lendo um trecho por semana. E, à medida em que forem surgindo dúvidas e questões, anotar e buscar sua ajuda. É uma forma de avançarmos, mesmo com nossos parcos recursos.
O primeiro trecho, da pág. 121 à pág. 125, trata dos 25 elementos do corpo humano.
A primeira dúvida surgiu na seguinte frase, no final do primeiro parágrafo da pág. 123:
"Em cada corpo denso existe também a assombrosa tendência à ilusão, ao engano e ao erro gerada pelo purusha e denominada kundalini."
Nos pareceu estranho que  o "purusha", sendo o elemento cósmico, o poder de Deus, pudesse "gerar" ilusão, engano e erro.
A Fedra trouxe então, o texto em inglês para confrontarmos a tradução e, pelo que entendemos, o verbo "gerar" não traduz muito bem o sentido da frase, pois tendemos a interpretá-lo como "dar origem a". Para o sentido da frase, talvez fosse melhor empregar "propiciar", "possibilitar"...


Resposta:
A frase que leio em inglês é:
"There is also marvellous delusion, illusion and error that is given by the purusha to every gross body, which is called kundalini".
A tradução para o português está precária. Alguém que não conhece Kriya o suficiente e que tentou reinterpretar sem conhecer melhor Baba Hariharananda:
"Em cada corpo denso existe também a assombrosa tendência à ilusão, ao engano e ao erro gerada pelo purusha e denominada kundalini."
Em primeiro lugar Baba qualificou a delusão, a ilusão e o erro como MARVELLOUS (MARAVILHOSA, ADMIRÁVEL e não ASSOMBROSA). Quem traduziu "marvellous" por "assombrosa" estava na dúvida do que o Baba queria dizer e escolheu uma palavra dúbia, porque assombrar também tem o significado de assustar. Não está incorreto, porque muitos se assustam com a maravilha. Se assombram.
O tradutor teve a mesma dúvida que vocês: Como ilusão, delusão e erro são percepções negativas, como poderiam ser maravilhosas? Como poderiam ser geradas pelo poder divino?
Mas Baba está quebrando um paradigma, uma dualidade. Ele está nos dizendo que a fonte da dualidade e do engano é algo para se maravilhar. Ele está nos convidando a ir além da dualidade e perceber o jogo da Leela. Ao invés de ficarmos presos entre o medo da dor e o desejo pelo prazer, para que acordemos para a realidade transcendental: Tudo é Divino e Maravilhoso. O mesmo mundo que pode ser horrível, também pode ser lindo. E quando vamos além da dualidade e acordamos para a fonte da nossa existência, percebemos o belo não só no belo, mas também no feio.
Uma vez percebido isso, a palavra até poderia ser "gerar". Ainda que não seja essa a palavra do texto em inglês. Baba nos diz que Purusha nos DÁ (também, não apenas) maravilhosa delusão, ilusão e erro, em cada corpo físico. E isso se chama kundalini. Eu traduziria como:
"Há também maravilhosos delusão, ilusão e erro, que nos são dados em cada corpo por purusha, o que é chamado kundalini."
Sim, quem nos dá a percepção da realidade de forma ilusória é Purusha, através de Kundalini. E através da Kriya desperta-se a própria Kundalini e vence-se a ilusão.
Entende?
Não há dualidade. Há um convite para superar a maravilhosa ilusão através da maravilhosa e divina fonte da própria ilusão. Isso não pode ser alcançado através de conversas e informações. É preciso Yoga.
E no final se perceberá que a Ilusão é a própria Realidade. Porque não é o objeto em sim, mas a realização do Sujeito Criador. 



Segunda pergunta da Cintia:
A segunda dúvida surgiu na seguinte frase, a quarta do último parágrafo da pág. 123:
"A primeira letra ham está na glândula pituitária e sa, a última letra, no centro do cóccix."
Pelas explicações posteriores, ham está ligado ao corpo denso e sa, à alma. Assim, faria mais sentido sa estar nos centros mais altos (pituitária) e ham, nos centros mais baixos (cóccix) e não o contrário...
No texto em inglês, a frase é a mesma.

 
Resposta:
Há quem conheça sânscrito e Kriya muito melhor do que eu.
Mas vou responder dentro do que conheço.

·       A é a primeira letra do alfabeto sânscrito.

·       SA é a última letra do alfabeto sânscrito.

·       HA é a última e a primeira letra do alfabeto sânscrito.

Entende? HAM é tanto a última como a primeira. É a expiração. É Hayagriva (Vishnu na forma de Cavalo Divino) que resgata o conhecimento espiritual no final de cada ciclo, para que se inicie um outro. A vitória definitiva. Eu já expliquei isso em alguns satsangs. Lembre do som que faz o cavalo quando exala o ar. A expiração concluída cria a pausa de vácuo que dá início à inspiração: a primeira letra A.
Não é lindo?
Ao invés de primeiro e último, início e fim, temos o eterno: último que antecede o primeiro, primeiro,...todas as manifestações..., último, último que antecede o primeiro. Não é uma linha interrompida. É uma espiral infinita.
HAM, A...todo alfabeto...SA, HAM
Entendido isso, no sexto chacra encontram-se HAM-SA. A totalidade expressa através da CONSCIÊNCIA da dualidade material/imaterial, corpo/espírito. O corpo e a alma em comunhão.
Mas SA também está no primeiro chacra. Quando se percorrem todos os chacras e nadis do corpo (sutil e material), conclui-se com SA no primeiro chacra. E se retorna através da ascensão de kundalini por Anusvaara-Visarga, que é HAM como SA-HAM ou SOHAM.

SA está no sexto centro como Satyan, a verdade abstrata, a alma imortal que anima a consciência física. Está no primeiro centro como a Alma criadora em potencial para despertar, pelo despertar da Kundalini e atingir a si mesma no despertar da Consciência Crística ou Consciência Kriya. Através do ciclo completo da respiração Kriya, o corpo físico HAM propicia que a fonte SA reencontre à alma SA, retornado a criação ao criador, a alma a sua morada imortal.

Isso vocês vão entender melhor quando se desenvolverem mais no Segundo Kriya. A tradição atual da escola de Hariharananda divide o Segundo Kriya em três iniciações. E a maioria de vocês, ou está no Primeiro Kriya ou na primeira iniciação do Segundo. Paciência e perseverança.
SA também está no sétimo chakra, a coroa, o topo da cabeça, SAHAS-HARA...

Yogacharya Céu, New York City, Outubro de 2016

Meditação diária e no dia do Equinócio


Escrevo este post no dia 21 de Março de 2017. É dia do Equinócio. No Hemisfério Norte, Equinócio da Primavera e no Hemisfério Sul, do Outono.

É considerado pelos yogues um dos dias mais favoráveis do ano para a prática da meditação.  Afirma-se que nesta data o magnetismo de todo o campo físico, do planeta e de todos os seus seres, está em equilíbrio. Como os praticantes de Kriya Yoga sabem, estando os campos magnéticos equilibrados, estão também equilibrados os canais Ida e Pingala, e assim facilitada a abertura da Sushumna.
Mais um bom motivo hoje para você praticar Kriya Yoga e mesmo para encontrar com seu grupo de meditação, para o benefício mais intenso da prática coletiva.

Mas lembre-se que ainda mais importante é meditar diariamente.
Os yogues já conheciam há milhares de anos atrás, o que hoje a ciência moderna chama de memórias de curto e longo prazo, e dos ciclos regulatórios do sono. Mas além do que estuda a ciência moderna, os antigos rishis já estudavam profundamente o fenômeno da consciência e sua conexão com os campos imateriais.
Nossos cérebros tem ciclos que são pontuados pelo sono.
A cada "sono" completa-se um ciclo e parte da memória da mente conhecida como "manas" é descartada, limpa.
Igualmente, se for a mente de um praticante de meditação, integra-se a cada ciclo uma nova camada do "buddhi". Isso se naquele dia, em algum momento anterior àquele sono, o praticante tiver meditado.
Essa é uma das razões porque se recomenda cientificamente a meditação diária. Porque cada dia é uma oportunidade de integrar uma camada da realização consciente, um passo em direção ao samadhi. 


Baba diz: - Tempo gasto em meditação é tempo ganho.

Um dos outros motivos apontados é que o ciclo do dia é o ciclo energético do nosso sistema solar, nossa porta de conexão com todo o Universo. Assim, meditando diariamente estamos nos sincronizando com todas as forças materiais e imateriais que regulam nossa consciência da existência da força cósmica e portando da própria vida.

Aproveite bem cada um de seus dias. Medite diariamente. Permita-se expressar mais e mais o amor e a paz que são a razão de sua existência.

(Yogacharya Céu, NYC, 21 março 2017)

Deus é existência e não existência (ou, por que o professor Pondé diz que virou ateu)



Em geral as discussões da existência ou não de Deus ou deus são muito aborrecidas.


Na maioria das vezes, tanto ateus como crentes demonstram que examinaram muito pouco a questão e já defendem apaixonadamente suas crenças. Não acreditar em Deus também é apenas uma crença: Crer que não existe.


Hoje assisti um vídeo do professor brasileiro Luiz Felipe Pondé, e gostei bastante. Ele explica suas razões em porque se tornou ateu de uma forma muito boa. Repare bem: Ele não diz “porque não acredita em Deus”, mas “porque se tornou ateu”. Essa diferença já demonstra bastante lucidez. O link para o vídeo no YouTube é este:



Bem, eu gostei muito, mas discordo e resolvi escrever pra ele no espaço reservado para os comentários. Não sei se ele irá jamais ler, mas publico aqui, para a consideração de quem acompanha este blog. Procurei resumir ao máximo. Seja como for, não importa o numero de palavras, pois palavras não bastam para atingir essa realização transcendental:


Professor, gosto bastante da sua posição, ainda que discordando.
Toda a sua premissa está baseada na condição de percepção linear do tempo. O que é absolutamente comum em quase todas as argumentações pró e contra.
Sugiro que examine o conceito Védico de Tantra, também adotado por alguns budistas. E que poderia ser entendido como um dos significados de "Reino de Deus", que teria sido mencionado por Jesus.
Deus é existência e não existência. Igualmente existe e não existe. É realizado, e não entendido.
Uma vez realizado, percebe-se toda a feiúra e injustiça do mundo de uma outra forma, em que essa feiúra e injustiça deixam de existir. Tat Sat. É o que É.
Esse estado não é percebido pela mente mundana, mas pode ser atingido através da integração da mente com a essência viva, que pode acontecer a qualquer momento. Acontecendo, a percepção de momento é dissolvida. É chamado em sânscrito de Samadhi. Existem diversos níveis de samadhi. Uma vez que você consiga ter ao menos o nível mais elementar, não se libertará completamente, mas se libertará da necessidade de permanecer dialeticamente discutindo se Deus existe ou não. Começará a desconfiar que não é essa a questão.
Existem técnicas para induzir o samadhi. Dos mais diversos tipos e em culturas as mais diversas. Todas partilham no entanto, em comum, do entendimento do pensamento como um fenômeno do corpo. Assim, alterações do metabolismo também alteram os pensamentos e o entendimento do Real.
Parabéns pelo trabalho equilibrado e permanentemente indagador. Uma luz, certamente. Abraços.  



Yogacharya Céu
New York City, 16 de Fevereiro de 2017