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Lua Cheia, Vesak e Baba



27 de Maio de 1907 foi noite de Lua Cheia. Foi também o dia em que nasceu Rabindranath Bhattacharya, no pequeno vilarejo de Habibpur, às marges do rio Ganges, distrito de Nadia, no estado indiano de Bengala Ocidental, a 65 km de Calcutá.

Em 1932, com 25 anos, Rabindranath é iniciado em Kriya Yoga pelo seu mestre Swami Sree Yukteshwar Giri, com quem passará a viver no Ashram de Karar. Três anos depois recebe a iniciação no Segundo Kriya de seu outro mestre (e também discípulo de Yukteshwar), Paramahansa Yogananda. 
Torna-se monge, recebendo o nome Brahmacharya Robinarayan em 1938. Recebe o Terceiro Kriya de Swami Satyananda Giri, aos 34 anos. No perído de 1943 a 1945 recebe os Quarto, Quinto e Sexto Kriyas de Sree Bhupendranath Sanyal (que assim como Yukteshwar era discípulo direto do primeiro mestre da linhagem, Lahiri Mahasaya).

Em 1948, aos 41 anos, Brahmacharya Robinarayan atinge o Nirvikalpa Samadhi, o estado iogue de mais elevada consciência. 

Aos 52 anos toma o voto formal monástico de Shankaracharya e passa a se chamar Hariharananda Giri. Sua destacada expressão lhe vale o título de Paramahansa, que ele próprio não usava. Torna-se mais conhecido entre seus estudantes simplesmente como Baba.
Em 1971 torna-se o Sadhusabhapati (espécie de presidente) do Ashram de Karar. 
A partir de 1974 inicia suas viagens ao Ocidente. Na América do Sul, chega à Colombia. Teria dito que não havia pessoas aptas a receber sua iniciação em Kriya Yoga no Brasil naquela época, enviando seus Yogacharyas para iniciações apenas em 1999. 
Deixa o corpo a 3 de Dezembro de 2002, sendo considerado este seu Mahasamadhi.


Vaiśākha, em sânscrito, é uma das doze luas cheias que marcam os doze meses do Calendário Lunar. Corresponde à quinta ou sexta Lua Cheia e no Calendário Solar pode ocorrer entre Abril e Maio, eventualmente no começo de Junho.
Veśāka, variante também sânscrita, quer dizer alguém ou algo que entra. 

Essa Lua Cheia, conhecida como Lua de Vesak, é comemorada triplamente como a data abençoada do nascimento, da iluminação e do mahasamadhi do Buddha Gautama, sendo muito celebrada entre os budistas. No entanto, talvez por ser uma lua cheia que ocorre em um período climático muito agradável em todo o mundo (primavera no Norte e outono no Sul), ou por alguma razão que a mente comum não seja capaz de explicar, a Lua de Vesak chama a atenção por sua beleza a todas as pessoas.

A prática de Kriya Yoga não é sectária. Qualquer pessoa, de qualquer religião, ou mesmo ateus e agnósticos podem se beneficiar de sua prática. Não somos particularmente budistas, como alguns acham às vezes por me ver, careca e sentado para meditar. Mas interessantemente, este destacado Guru da Kriya, Paramahansa Hariharananda, veio ao mundo na Lua de Vesak. 


Assim, na data de hoje, 25 de Maio de 2013, quando escrevo estas linhas, não sendo ainda a data do aniversário de Baba pelo Calendário Gregoriano, que comemora apenas no dia 27, é no entanto a data lunar do aniversário. As antigas escrituras védicas citam que a Lua é quem sinaliza a qualidade da entrada e do abandono da experiência da vida no que chamamos de mundo material. E portanto, por esse princípio, hoje é um dia a observar como da entrada do Guru, da Consciência Elevada, da Guia Espiritual, no magnético mundo material. Momento de chamar e receber resposta, instrução e orientação. Auspicioso para a meditação.

Mas todos os dias e noites são. E todos os momentos também.

Com Amor,


Yogacharya Céu D´Ellia



Para uma cronologia mais detalhada da linha do tempo de Paramahansa Hariharananda clique e visite a página ao lado.


Kriya Yoga, uma Autopista Espiritual

Por Yogi Sarveshwarananda Giri


As escrituras iogues explicam que viemos do Infinito, da Bem-aventurança Suprema. Consequentemente, ao passarmos através das várias camadas – o mundo causal, o mundo astral e o mundo físico – adentramos este mundo, e vivemos e crescemos em Bem-aventurança para, finalmente, regressarmos à Bem-aventurança Suprema. 

Embora estejamos aqui apenas como viajantes para experimentar e aprender sobre essa nova forma de Bem-aventurança, não conseguimos viver dessa forma. Não vivemos em estado de plenitude, graça, libertação, de alegria infinita, e esse é o problema que todas as religiões enfrentam e procuram resolver.

Por que não podemos viver num estado puro, pleno, maravilhoso? 

Porque ao nascermos somos acometidos por uma enfermidade característica do mundo físico, chamada maya, que provoca uma espécie de amnésia espiritual de nossa consciência expandida, infinita e eterna. 

Maya é uma palavra sânscrita, que significa medir, dividir, categorizar… é como se passássemos através de um prisma e nos dividíssemos em pequenos egos diferentes e isolados. 

Deus nos concede diversos caminhos e formas para “curarmos” definitivamente esta amnésia espiritual e redescobrirmos a nossa natureza. Há caminhos mais tranqüilos, outros mais intensos, e há também o que poderíamos chamar de “autopistas espirituais”.

Nos anos trinta, o grande visionário e psicólogo Carl Jung descobriu o conceito dos chacras  por meio de livros de ioga e tantra. Após muitos anos de estudo declarou que a consciência humana ocidental não tem acesso aos chacras que estão acima do chacra do coração, o quarto chacra. De acordo com sua teoria, a consciência das coisas mais sutis se encontra majoritariamente no mundo oriental, por terem uma consciência mais inclinada à entrega e ao reconhecimento de Deus em todos os aspectos da vida. 

Foi precisamente na década de trinta que Paramahamsa Yogananda, o grande mestre espiritual e autor da Autobiografia de um Iogue, chegou aos Estados Unidos para difundir os ensinamentos do Ioga Kriya (Kriya Yoga). Yogananda percebeu que havia almas ocidentais que já estavam preparadas para trafegar pela autopista espiritual do Kriya Yoga. 

Com a prática desta técnica podemos concluir o processo de evolução espiritual em uma vida, alcançando o estado de observador, de testemunha desapegada, de entrega e instrumento. Estado que grandes sábios e santos descreveram e manifestaram ao longo da história: “Eu sou um lápis nas mãos de Deus e Deus está escrevendo seu capítulo através de mim” disse Madre Teresa de Calcutá; ou nas palavras de São Francisco: “Senhor, fazei de mim um instrumento de vossa paz”. 

Eis aqui o paradoxo da aceleração espiritual: quanto mais aprendemos a desacelerar e acalmar nossos pensamentos, e a silenciar mais e mais a nossa mente, mais aceleramos nosso progresso espiritual.

Antigamente, na Índia, dizia-se que logo que um bebê nasce, ele chora koham-koham, que significa “Quem sou eu?” . E que o universo responde So’ham, “És o mesmo que Eu”. Kriya Yoga é a metodologia mais rápida e segura para levarmos a cabo este processo, que consiste em nos identificarmos novamente com Deus ou a Realidade Última.


Tradução: Camila Bogea