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O Amor é o mais importante. (parte UM de TRÊS)

No fim de semana de 27 e 28 de Maio de 2017, o grupo de São Paulo reuniu-se em um sítio para um Retiro de Aprofundamento em Kriya Yoga.  O tema de estudo: "O Amor é o mais importante."


O que segue é o texto base que foi desenvolvido nesse retiro:

  


Ao ser iniciado em Kriya Yoga na linhagem de Hariharananda, o aluno aprende uma sequência de sete técnicas, precedidas de sete preparações preliminares. A sétima e última preparação é: - Faça com Amor.


- O Amor é o mais importante. 


Essa é uma citação comum do Guru, Paramahansa Hariharananda (1907-2002). Baba, como nós mais afetuosamente o chamamos, sempre repetia, quando guiava as meditações: - Amor, amor, amor. O Amor é o mais importante.



Sempre lembro dessa fala. De fato, uma frase bem poética e simpática. Mas foi somente após 16 anos de prática, quando havia mudado para New York City, já meditando nos Kriyas mais avançados, que dei o clique: há muito mais nessa frase do que poesia e acolhimento. Baba não repetiria algo tão insistentemente, se isso não fosse realmente muito necessário. Não é apenas um conselho amoroso e camarada. Para realizar a conexão Kriya, de fato, mais que nada, o Amor é o mais importante.



E por que? Por que, para a prática de Kriya Yoga, o Amor é o mais importante?



Sim, você pode me dizer, fazer qualquer coisa com amor é bom, porque nos coloca em uma melhor disposição diante do que temos que fazer. 
Você pode citar o lindo capítulo 13 da Primeira Epístola de São Paulo aos Coríntios:



“Ainda que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse Amor*, seria como o metal que soa ou como o sino que tine. E ainda que tivesse o dom da profecia, e conhecesse todos os mistérios e toda a ciência, e ainda que tivesse toda a fé, de maneira tal que transportasse os montes, e não tivesse Amor, nada seria. E ainda que distribuísse toda a minha fortuna para sustento dos pobres, e ainda que entregasse o meu corpo para ser queimado, se não tivesse Amor, nada disso me aproveitaria. A Caridade é sofredora é benigna; o Amor não é invejoso, não trata com leviandade, não se ensoberbece, não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal, não folga com a injustiça, mas folga com a verdade. Tudo Sofre, tudo crê, tudo espera e tudo suporta. O Amor nunca falha. Havendo profecias, serão aniquiladas; havendo línguas, cessarão; havendo ciência, desaparecerá; porque, em parte conhecemos, e em parte profetizamos; mas quando vier o que é perfeito, então o que é em parte será aniquilado. Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, discorria como menino, mas, logo que cheguei a ser homem, acabei com as coisas de menino. Porque agora vemos por espelho em enigma, mas então veremos face a face; agora conheço em parte, mas então conhecerei como também sou conhecido. Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três; mas o maior destes é o Amor.”



(* A palavra “amor” na epístola é originalmente, em grego, “agape” que, em algumas traduções, aparece com o vocábulo “caridade”.)



Você pode dizer tudo isso pra mim e eu vou concordar.  Mas tem mais. Baba está nos orientando que o aspecto mais importante da meditação é o Amor. Não é o Guru, ou a técnica, a concentração, o professor, ou o grupo do qual fazemos parte. Não são os anos de experiência e muito menos a quantidade de informações que acumulamos sobre o que é meditação ou espiritualidade. É o Amor. O Amor é o mais importante.



Mas o que é o Amor? A que Amor Baba se refere?




Uma das formas mais comuns de se tentar explicar o Amor é através de seis palavras gregas que definem seis tipos diferentes de amor:

Eros, Philia, Ludus, Pragma, Philautia e Ágape.



- Eros é a paixão sexual, a atração física. Pode ser uma forma de aproximar intimamente as pessoas, mas também pode aflorar o desejo de dominar e possuir.


- Philia é a amizade profunda. O amor que se desenvolve entre pessoas que compartilham a vida com solidariedade e lealdade.


- Ludus é o compartilhar em brincadeira. Comum entre as crianças, surge também entre adultos que se reúnem para uma festa, para dançar ou praticar um esporte.


- Pragma é o amor duradouro, aquele que se desenvolve entre pessoas que compartilham a vida juntos, como os casais. É fruto de paciência e dialogo compassivo.


- Philautia é o amor por si mesmo. Pode se tornar algo perigosamente narcisista, mas pode também ser o amor da auto-confiança, da busca interior pelo auto-conhecimento.


- Ágape é o amor incondicional, desapegado. Considerado a forma mais elevada de amor,  porque é aquele dedicado à humanidade inteira. O amor de quem se preocupa em amparar estranhos, sem esperar nada em troca.




Há também quem explique o que é o Amor, pelo seu oposto. E o oposto do Amor não seria o ódio, mas o medo.

Porque o ódio é um estado de atração invertida. Quem odeia, sente-se ligado ao objeto do ódio. Assim como quem ama, sente-se ligado ao objeto do amor. Mas o medo, desliga, afasta. Enquanto o Amor liga, reúne.

Quem tem medo se recolhe, esconde, se fecha. Quem ama se abre, vai à vida.



Tudo isso é muito interessante e ecoa dentro da maioria de nós como verdadeiro. Mas ainda tem mais. Todas essas explicações acima, por exemplo, dizem respeito às pessoas, ao amor como algo que nasce nos seres humanos. E o Amor pode ir mais além da gente. Pode ser transcendental.



Em 27 e 28 de Maio de 2017, nosso grupo de Kriya Yoga de São Paulo se reuniu em um retiro para meditar e para estudar o Amor. Os participantes escreveram estas definições sintéticas do que entendem como Amor:



" O Amor nos une, torna indiferente nossas diferenças. Não apenas entre humanos, mas entre todos seres viventes. É indizível, inefável. Cada um exerce o Amor que lhe é possível."



" Amor, força que integra, mobiliza, reúne, dá segurança, através de Compaixão, tolerância, doação, empatia, entrega e outras manifestações. Estratégia evolutiva."


" O Amor é uma força poderosa e transformadora, que faz compreender o incompreensível. Por Amor se faz o que é preciso mesmo no fim das forças."



" O Amor é a força que une e transforma. O Amor está em tudo e em todos."


" O Amor é uma escolha. Escolher estar inteiro em cada momento, em cada ação. Dar o nosso melhor, buscando não um ganho pessoal, mas que tudo se ajeite da melhor maneira possível."
  
" O Amor é uma sensação, uma energia, uma força não-racional, universal, transcendental. Seja para com si próprio ou o outro, e que integra e nos une." 
 
" Energia criadora, mantenedora e provedora."


" O Amor = Presença divina que cria, mantém e transforma o universo."



" Amor, a percepção e atenção com o próximo, aceitação, o que nutre."



" Amor: Força e consciência, criadora, nutridora, transformadora, curativa. Permeia o Tudo e o Nada. Está em tudo, é tudo. Rege a natureza, a vida. Se propaga, reverbera no universo."


" O Amor é o sentimento de dissolver-se (eu) plenamente em algo maior (Eu maior, Eu cósmico)."


" Amor é a força harmônica incondicional universal de atração que une e sustenta todos os versos, numa dança."


" Amor é estar sempre inteiro em cada momento. Suas várias formas são como camada superpostas. Cada uma é única, e de cada uma se vê apenas uma parte, mas estão juntas."


" Amor, querer o bem, pensar o bem e fazer o bem, dentro de nós e para alem de nós mesmos."



" Amor é ter paixão pela vida e compaixão pelo próximo. É energia que renova. É doação"


" O Amor é a força incondicional, que une e sustenta o Universo."
 


Eu acho todas essas ideias e definições, que os participantes do retiro escreveram, muito lindas. Mas, voltando ao início do meu texto, ainda assim não parece que explicam muito claramente porque Baba Hariharananda diz que, para a Kriya Yoga, o Amor é o mais importante.

Nos próximos dois textos desta série eu vou aprofundar melhor isto.


Yogacharya Céu, São Paulo, maio-agosto 2017
 
O Amoroso Grupo de Kriya Yoga de São Paulo, reunído para estudar o que é mais importante.